Nela, um beijo ela queria dar.
Um beijo de amizade não seria,
Tampouco um beijo fraterno.
Seria talvez, um beijo de amor.
Um beijo sonhado, um beijo desejado.
Um beijo carinhoso, um beijo apertado.
Mas, à priori, seria apenas um beijo,
Um beijo sem rótulo, um beijo sem
título.
Um beijo sem entrelinhas, um beijo sem
teoria.
Sem propósito, porém, este beijo
não seria.
Ela era sua melhor amiga.
Juntas estudavam, e juntas sempre
saíam.
Sorvetes, à tarde, tomavam,
E para os garotos, olhavam.
No entanto, seus desejos por eles,
Aos poucos se esvaíam!
Aos poucos também ela percebeu,
O amor que nascia em seu peito...
Os olhos azuis da amiga,
Habitando seus sonhos,
Inquietavam-na em seu leito,
Quando a noite se deitava,
E somente nela pensava!
Não tinha certeza,
Pois não conseguia
Pensar com clareza...
Mas suspeitava que a amiga soubesse
Do que em seu coração se
passava!
No entanto, declarar-se não ousava,
Apenas amava, amava e amava!
Não perdendo oportunidade,
Ao lado da amada sempre estava.
Aos poucos, tocavam-se suas mãos,
Sem querer, roçavam-se seus joelhos,
E seus olhares se encontravam em doce
união.
Numa aura de desejos, misturavam-se seus
perfumes,
Seus costumes, seus anseios e suas
ilusões....
Todas as tardes se encontravam
Suas mãos se apertavam
Os abraços se prolongavam,
E o desejo do beijo,
Na mente das duas nascia,
E a cada dia, crescia e crescia...
Um dia, de repente,
Tal beijo quase aconteceu,
Como serpente, entre elas enredou - se,
Entre elas enrolou - se,
Ardentemente, quase se tocaram seus
lábios...
Pulsantemente, quase se uniram
As batidas dos seus corações...
Mas, sobrepujaram-se aos seus desejos,
Mesmo com estes a arder-lhes os sentidos,
E a tirar-lhes o ar dos pulmões,
O medo, a insegurança e a triste
vergonha...
Por muitos dias não mais se
encontraram
Suas tardes, vazias ficaram...
E ela, só no beijo pensava,
Com o quase beijo sonhava
E, de toda mente desejava,
Agora sem pudor, e com muito ardor,
Tomar a amiga nos braços
E confessar-lhe todo o seu amor!
Mais dias se passaram...
E ela não mais agüentando
Com o peito quase arrebentando
Pelas dores da ansiedade,
Com os tímpanos ribombando
A tristeza da saudade,
Uma decisão sua mente tomou
Mesmo sob toda a dor
Declararia o seu amor,
Àquela que pela primeira vez amou!
À caminho de seu intento,
Com o coração apertado,
Quase sem alento,
Por um momento,
Sonhando pensou estar,
Pois em sua direção,
Caminhando devagar,
Vinha seu amor,
Trazendo nas mãos, uma flor...
Aproximaram-se suavemente
Sob o sol morno da tarde,
Que, docemente, suas faces iluminava.
Sem dizer palavra, sua amiga,
A flor lhe entregou, sua mão tomou,
E sua face beijou!
E ela, transbordando de amor,
Sua face deslizou,
E os lábios da amiga,
Com os seus, tocou!
Assim, a revelação
Desse amor se deu!
Amor que aos poucos nasceu,
Que aos poucos cresceu,
E com um beijo, se conheceu!
Um beijo certeiro
Um beijo sem medo
Um beijo inteiro
Um beijo de amor!
Repleto de ardor
e calor!